maio, 2018
25mai18:00Seminários de História da Educação18:00 Sala 12, IE - ULisboaCategorias:arquivo
Detalhe
4.ª Sessão - 25 de maio
Mais
Detalhe
4.ª Sessão – 25 de maio de 2018
A inovação em educação numa perspetiva histórica
Joaquim Pintassilgo
Instituto de Educação da Universidade de Lisboa
A consolidação da chamada “forma escolar” de educação ao longo dos séculos XIX e XX naturalizou uma determinada maneira de organizar e sedimentar dimensões diversas da vida escolar. Desde cedo, em particular na transição do século XIX para o século XX, com as chamadas “escolas novas”, que esse modelo foi alvo de críticas. Com contornos diferentes conforme os contextos e os momentos, esse é um processo que prosseguirá ao longo do século XX chegando à atualidade. Os pontos de contacto entre os pressupostos da Educação Nova e muitas das propostas atuais são evidentes e permitem identificar aquilo que podemos designar por tradição pedagógica “progressista”, entendida como plural e capaz de se metamorfosear. A longa duração de muitas das componentes das pedagogias “alternativas” da atualidade torna complexa a definição de um conceito como o de “inovação” em educação, designadamente no que diz respeito à sua relação ambígua com a noção de “tradição”. Podemos, ainda, constatar a existência de muitas maneiras de se ser uma escola “diferente”, todas elas singulares nos projetos educativos que procuram corporizar. O hibridismo é outra das características presentes em muitas dessas experiências, que não reclamam uma fonte de inspiração única mas combinam ideias e práticas presentes em correntes diversas com propostas que vão circulando no mundo pedagógico ao mesmo tempo que são apropriadas de forma criativa. É igualmente imprescindível, a nosso ver, recusar os olhares dicotómicos e os “slogans”, tão presentes no campo e nos debates pedagógicos, como evitar a “sacralização” das experiências inovadoras.
A inovação numa lógica instituinte: a experiência da Escola da Ponte
Carlos Manique da Silva
UIDEF, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa
O traço mais distintivo da experiência levada a cabo na Escola da Ponte desde meados da década de 1970 assenta na rutura com a organização em classe. Na verdade, o projeto pedagógico pôs em causa (de forma bem-sucedida) a estrutura da escola graduada – as classes homogéneas. Tratou-se de implementar um processo de mudança deliberada, no sentido de encontrar soluções para lidar com a heterogeneidade da população escolar. A inovação fundou-se numa “lógica instituinte”, isto é, no saber profissional dos professores construído em contexto; e não, portanto, numa “lógica instituidora” – a da inovação sob tutela (Canário, 2005). O grande móbil do projeto pedagógico construído na Escola da Ponte foi, de facto, promover um ensino adaptado às diferenças e características dos alunos. Pressupôs, também, um forte envolvimento da comunidade local (designadamente, de pais e de encarregados de educação), a afirmação de uma política de direitos humanos (garantia de equidade de oportunidades e de uma cidadania participativa e democrática) e, não menos importante, um sentido responsável de autonomia institucional.
Sessões ocorridas
1.ª Sessão – 6 de abril de 2018
Global, local, institucional: triângulo pedagógico moderno. Intermitências, vicissitudes, desafios
Justino Magalhães
Instituto de Educação da Universidade de Lisboa
Em educação, o global remete para um idealismo histórico e projetivo, que o local relativiza, delimita, contextualiza, reifica, e que a instituição acultura, normaliza, incorpora no sujeito e torna coletivo. Sumariamente pode aventar-se que a instituição educativa através da escola; tornou possível o global; foi constitutiva do nacional; reificou e deu forma ao local. Esboçarei uma cadeia conceptual de sistema-mundo, internacionalização, convergência escolar, globalização, tendo por base alguns quadros histórico-pedagógicos. Problematizarei a decisão em educação nas modalidades de convencionar, transversalizar, fabricar – condições fundamentais para uma teoria democrática e humanizada.
A circulação do conhecimento pedagógico como objeto de análise histórica e comparada: uma ilustração empírica com base na análise dos regimes de tradução da obra de John Dewey para a língua portuguesa
Ana Isabel Madeira
Instituto de Educação da Universidade de Lisboa
Esta intervenção centra-se no estudo das redes de difusão-receção do discurso educacional e analisa empiricamente a circulação das obras de John Dewey em Portugal, traduzidas para a língua portuguesa a partir do Brasil, entre as primeiras décadas do século XX até meados dos anos 60. Sabe-se pouco acerca da receção das ideias de Dewey em Portugal. Até ao momento, as pesquisas conduzidas por Carvalho e Cordeiro (2002) e Correia & Silva (2002 e 2004) argumentam, com base na análise das referências em periódicos e dos manuais dirigidos aos normalistas no Brasil e em Portugal, que é difícil sustentar a existência de transferências de modelos educacionais entre os dois países. Mas ambos os estudos alertavam, também, quanto à necessidade de efetuar uma digressão complementar por outras fontes. É essa digressão complementar e, em simultâneo, a opção por uma um conjunto de alternativas metodológicas que alimentam o presente exercício. Recorro, para este efeito às teorias da tradução, procurando interpretar os acontecimentos que se enquadram numa economia política da tradução, considerando que estas lógicas são essenciais para compreender dos mecanismos de transferência trans-cultural e os processos de recepção-difusão do conhecimento pedagógico (Burke & Hsia, 2009). A especificidade deste trabalho assenta no facto de estarmos a estudar uma multiplicidade de “lógicas de adaptação” assim como uma quantidade de estruturas subjacentes, diferentes estilos de significação, uma semântica histórica e experiências coletivas sedimentadas no decurso da história que se desenvolvem no interior de uma mesma língua (Bruno-Jofré & Schriewer, 2009).
Produção científica relativa à educação para crianças “anormais”: possíveis fontes para a educação especial brasileira e portuguesa (fim do século XIX e início do XX)
Mônica Kassar
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul
Crianças com deficiências, denominadas de “anormais” entre final do século XIX e início do século XX, foram alvo de atenção de médicos e educadores em diferentes regiões do mundo, de modo que, em 1939, por ocasião do I Congresso Internacional de Pedagogia dos Deficientes, 32 países fizeram-se presentes, com relatos das atividades em suas localidades por estudiosos e especialistas. A considerar esse movimento intelectual, esta apresentação propõe-se a apresentar e analisar possíveis fontes científicas presentes na concepção dessa pedagogia diferenciada, que recebeu diferentes nomes: pedagogia especial, orto-pedagogia ou pedagogia curativa. O que se vai apresentar decorre de uma pesquisa em ansamento.
Arquivos Europeus para Estudo da História da Deficiência Visual: o caso das Fontes Tridimensionais (séculos XVIII-XIX)
Maria Romeiras Amado
UIDEF, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa
Em História da Educação, deparamo-nos com temas bastante especializados e que requerem uma abordagem científica ponderada e apoiada. A própria recolha das fontes deve ter em conta que os arquivos constituídos nem sempre são os tradicionais, No caso das primeiras escolas para cegos europeias (final do século XVIII – século XIX) encontramos uma imensa diversidade de materialidade escolar tridimensional, dado que a informação contida em parte das fontes escolares se destinava a ser apreendida pelo tato. Travámos igualmente conhecimento com diversos alfabetos relevados, desde os iniciais que representavam o equivalente relevado às letras impressas, como os sistemas Balú, Mascaró e Braille – sistemas pontilhados – entre outros. Também para o ensino da Matemática, Geometria, Geografia e Desenho, os equipamentos escolares eram produzidos tendo em conta a diversidade da abordagem sensorial a que se destinavam. Finalmente é de referir que a construção do edifício-mãe para aprendizagem era, sempre que possível, construído de raiz e preparado para as características motoras e sensoriais dos alunos que o iriam ocupar, o que dá particular importância às memórias descritivas de construção dessas primeiras escolas para cegos, também elas fontes inestimáveis de informação para o estudo do ensino especial.
As deputadas do Estado Novo: uma análise do seu discurso político
Áurea Adão
UIDEF, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa
A política educativa de Oliveira Salazar, entre 1935 e 1947, corresponde à formação e consolidação de uma escola nacionalista, tendo por fim preparar as novas gerações que iriam servir e integrar-se numa sociedade portuguesa sustentada em três pilares ─ Deus, Pátria e Família. O período temporal que se segue, de finais da década de 1940 a inícios dos anos de 1960, foi marcado pelo fim da Segunda Grande Guerra e pelas repercussões do processo de mudança registado na Europa a nível político, económico, social e cultural. E, internamente, pelo desencadear da guerra colonial e pelo progressivo isolamento internacional de Portugal ao mesmo tempo que a emigração de muita da sua mão-de-obra vai atingir a sua maior amplitude. Este Seminário ocupar-se-á do papel desempenhado pelas mulheres deputadas através das suas intervenções políticas na Assembleia Nacional e do seu modo de estar nesse espaço político essencialmente masculino.
O curso especial de Educação Familiar (1937-1947): A implementação de um percurso escolar liceal diferenciado
Maria José Remédios
Agrupamento de Escolas D. Filipa de Lencastre
Pretende-se dar a conhecer a criação do Curso Especial de Educação Familiar e a sua implementação nos três liceus femininos existentes durante o Estado Novo. A partir da ideia de educação como uma construção social, procurar-se-á compreendê-lo como uma realidade social legitimada na diferenciação de género e perpetuadora dessa mesma diferenciação.
Organização: Doutoramento em História da Educação
Hora
(Sexta-feira) 18:00
Localização
IE - ULisboa